O Bombom mais caro do mundo é Português.

Glorious,  assim se chama o bombom mais caro do mundo, o bombom foi mostrado em Óbidos no último fim-de-semana do Festival Internacional de Chocolate, onde o público  apreciou o exclusivo chocolate revestido a ouro e vendido a 7728 euros.

O bombom foi esposto ao público nos dias 17 e 18 do mês de Abril, naquela que foi a “segunda aparição em público desde o lançamento, em 2015”, disse à Lusa o mestre chocolatier Daniel M. Gomes.

Ao chocolate Valrhona negro equatorial juntam-se, no interior, filamentos de açafrão, trufa branca Perigord, óleo de trufa branca, baunilha de Madagáscar, flocos de ouro e… um ingrediente secreto. Por fim, o bombom é revestido a ouro de 23 quilates.

“É um produto em que procurámos os ingredientes mais caros para a sua confecção”, explicou à Lusa o seu autor, Daniel M. Gomes, que trabalhou durante cerca de um ano na criação do bombom “exclusivo e direccionado para um mercado de luxo”.

Glorious terá uma edição limitada de apenas mil bombons, vendidos numa embalagem que é “uma obra de arte e quase como que um guarda-jóias”, que pode ser usado depois de comido o bombom.

A embalagem é composta por uma base de madeira lacada a preto, com a gravação em ouro do número de série e uma campânula em cristal, revestida a milhares de cristais e pérolas Swarovski, finalizando com uma pega em fita de ouro.

A exclusividade do produto inclui “a obrigatoriedade de não divulgarmos a quem são vendidos os bombons”, afirmou Daniel M. Gomes, revelando apenas os países aonde já chegaram os Glorious:  Emirados Árabes Unidos, Rússia, Angola e Argentina. Em Portugal, “já houve contactos, mas ainda não foi feita nenhuma venda”, disse o chocolatier.

O bombom mais caro do mundo, que em Óbidos vai estar na tenda das esculturas rodeado de seguranças, é feito em Leiria, na Daniel’s Chocolate, mas “guardado num local secreto” e transportado para os países onde já foi adquirido com “elevadas medidas de segurança e conservação, e com todos os mecanismos de segurança activados até que chegue à casa do cliente”. Até hoje, acrescentou, “nenhum chegou partido”.

Deco desaconselha chocolates do calendário de Natal do El Corte Inglés

A Deco anunciou, esta quinta-feira, que o chocolate do calendário de Natal do El Corte Inglés deve ser evitado por conter, alegadamente, substâncias potencialmente perigosas. O grupo anunciou que o produto já foi retirado.

A Deco refere que no início de novembro realizou um estudo com as suas congéneres Test-Achats (Bélgica), Altroconsumo (Itália) e OCU (Espanha), em que cada país analisou cinco marcas à venda nos respetivos mercados nacionais, num total de 20 produtos.

“Em Portugal, comprámos as cinco marcas de calendários do advento disponíveis na altura nas principais cadeias de supermercado da região de Lisboa: El Corte Inglés, Favorina (Lidl), Ferbar, Jacquot e Pingo Doce. O objetivo do estudo foi determinar a presença de hidrocarbonetos de óleos minerais (MOSH e MOAH), substâncias consideradas potencialmente perigosas para a saúde, no chocolate desses calendários”, refere a Deco em comunicado.

A Deco salienta que o calendário de Natal do El Corte Inglés “contém hidrocarbonetos aromáticos de óleos minerais (MOAH)” e que, por precaução, não aconselha o seu consumo.

“Além disso, encontrámos pequenas quantidades de hidrocarbonetos saturados de óleos minerais (MOSH) em todas as marcas”, acrescenta.

Segundo a Deco, a Autoridade Europeia de Segurança Alimentar admite que os MOAH têm um “potencial risco cancerígeno”, enquanto os MOSH não são potencialmente cancerígenos, mas tendem a acumular-se em vários órgãos.

A Lusa contactou o El Corte Inglés, com fonte oficial a afirmar que os produtos em causa já foram retirados.

“Assim que recebemos alguma informação em relação aos produtos, seja da Deco, dos nossos laboratórios ou de outra entidade, o procedimento habitual é mandar retirar o produto de imediato e depois analisar”, explicou.

Segundo a mesma fonte, os calendários foram hoje retirados e vão agora ser efetuadas análises.

“Vai ser analisado e, depois dos resultados conhecidos, pode ser retirado de vez ou voltar a ser colocado, dependente dos resultados”, conclui.

Por que o chocolate está em perigo no mundo?

Os cientistas preveem que a escassez de oferta de chocolate está a chegar e até especulam sobre a possível extinção do cacau, matéria-prima de uma indústria global que gera 98 bilhões de dólares por ano.

A falha está numa combinação de fatores, do aquecimento global às pragas. Até mesmo alguns cientistas foram além, prevendo que o chocolate poderia estar “a caminho da extinção” nas próximas quatro décadas. Enquanto muitos pensam que isso é um exagero, outros especialistas trabalham para encontrar uma solução e evitar a catástrofe. Mas por que a oferta mundial de chocolate está ameaçada?

Nós comemos cada vez mais e mais chocolate

De acordo com um relatório da empresa de pesquisa Euromonitor, a demanda global por chocolate atingiu 7.450 toneladas em 2016-17, um salto superior a 10% em comparação com a cinco anos atraz.

O apetite pelo chocolate foi impulsionado principalmente pelo aumento do consumo na China e na Índia, os dois países mais populosos do mundo. A Índia, por exemplo, registrou o maior crescimento em 2016, com 13%. A maior gulodice do mundo está nos EUA, que representam 20% do consumo mundial.
No entanto, o país que come mais chocolate per capita é a Suíça. Os suíços comeram uma média de 11 kg de chocolate por pessoa em 2016, de acordo com o órgão comercial Chocosuisse.

A oferta é complexa

Os números da Organização Internacional do Cacau, que analisa o mercado para essa matéria-prima, mostram uma variação entre os superávits e o déficit de oferta nos últimos 20 anos.

Uma pesquisa recente de traders, analistas e intermediários conduzida pela agência Bloomberg estimou que a oferta global de grãos de cacau poderia exceder a demanda em 97.500 toneladas na temporada de 2017-18.

É uma arvore de difícil cultivo.

A árvore de cacau, Theobroma cacao, é nativo às áreas tropicais e só cresce bem em climas húmidos com menor estação seca e chuva regular, o que explica porque basicamente é limitada a uma estreita faixa de 10 graus em cada lado da linha do Equador.
A produção não registra desenvolvimento: 90% do cacau é cultivado em pequenas propriedades familiares.

O cultivo e a colheita requerem muito trabalho: as vagens de cacau não amadurecem ao mesmo tempo e as árvores devem ser continuamente monitoradas. Segundo a ONG Make Chocolate Fair, o cacaueiro dá frutos durante todo o ano e é necessária toda a colheita de uma árvore para produzir meio quilo de cacau.

A mudança climática não ajuda

Pequenas flutuações no clima podem prejudicar a produção, então a mudança climática não é realmente o que a indústria precisa.

As pragas

Ao contrário de outras cultivações importantes que foram objeto de contínuos esforços científicos para aumentar a produtividade e criar maior resistência ao tempo e às doenças ambientais, o cacau continua sendo basicamente uma planta silvestre.

Até agora, a única maneira de os produtores lidarem com as árvores doentes é substituindo-os, mas o problema é que elas podem ficar infectados por semanas ou meses antes de apresentar sintomas e, portanto, podem transmitir doenças as arvores vizinhas antes de serem detectados.

A equipe de Judy Brown, da Universidade do Arizona, está a trabalhar em colaboração com a Mars Inc., um dos gigantes da indústria de doces de chocolate, para desenvolver um “kit de teste molecular” que os agricultores possam usar para detectar sinais de infecção.
Uma equipe do Instituto de Genômica Inovadora também está a experiementar a manipulação genética para tornar as sementes de cacau mais resistentes. Assim, os fãs de chocolate cruzem os dedos para continuar a desfrutar deste produto nos próximos anos.